Enquanto o vocabulário de Milton gira em torno de 17.000 palavras, e a obra de Homero, incluindo a Ilíada e a Odisseia, não chega a 10.000, Shakespeare tem registrado um léxico cerca de 24.000.
Frequentemente em suas peças, nos deparamos com comentários a respeito das falas de seus personagens:
- “His words are a very fantastical banquet, just so many strange dishes.” ("Suas palavras são um banquete fantástico, com muitos pratos estranhos", em Muito barulho por nada)
- “Goodly Lord, what a wit-snapper you are!” ("Senhor amado, quão sagaz de sua parte!", em O mercador de Veneza)
- “This is the very coinage of your brain.” ("Isso é coisa de sua cabeça", em Hamlet)
Se levarmos em conta que mais de 1.700 palavras são creditadas a Shakespeare, uma em cada dez palavras em suas peças teria sido criada por ele e, portanto "nova ou incomum para os atores e a audiência", como escreve Fraser McAlpine para a BBC America. Não é nenhuma surpresa que seus diálogos contenham comentários a respeito da estranheza da língua.
Temos dificuldade em compreender Shakespeare hoje em dia. McAlpaine se pergunta como a audiência da época o compreendia, já que muito de seu vocabulário era "coisa de sua cabeça". Há uma profusão de listas de palavras usadas pela primeira vez por Shakespeare. O Oxford English Dictionary, por exemplo, mostra palavras como accessible, accomodation e addiction, tendo suas primeiras aparições em suas peças. Pode ser que nem todas as palavras tenham sido inventadas por Shakespeare, mas os editores do dicionário não encontraram registros escritos anteriores à sua obra.
No site ELLO, English Language and Linguistics Online, há um tutorial de como Shakespeare formava novas palavras, fazendo empréstimos de outras línguas - ele conhecia cerca de sete idiomas diferentes; adaptando palavras de outras classes gramaticais, transformando verbos em substantivos, por exemplo, ou vice-versa; e adicionando prefixos e sufixos a palavras existentes.
Ele também criou algumas frases e expressões utilizadas comumente, como: full circle (de volta às origens), strange bedfellows (aliados improváveis) e method in madness (método na loucura).
Na verdade, é difícil determinar que Shakespeare foi o criador de todas as palvras a ele atribuídas. Muitas delas já existiam em diferentes formas, e outras podem ter existido em contextos coloquiais não-literários - e portanto, não registrados na forma escrita. Ainda assim, é fato que o Bardo criou ou usou pela primeira vez centenas de palavras, escreve McAlpine, "sem precedente óbvio para o espectador, a não ser que ele fosse versado em latim ou grego." A questão, então, persiste: "que diabos a audiência [em sua maioria] inculta depreendia dessa enxurrada de linguagem recém-criada no seu divertimento?".
Na verdade, é difícil determinar que Shakespeare foi o criador de todas as palvras a ele atribuídas. Muitas delas já existiam em diferentes formas, e outras podem ter existido em contextos coloquiais não-literários - e portanto, não registrados na forma escrita. Ainda assim, é fato que o Bardo criou ou usou pela primeira vez centenas de palavras, escreve McAlpine, "sem precedente óbvio para o espectador, a não ser que ele fosse versado em latim ou grego." A questão, então, persiste: "que diabos a audiência [em sua maioria] inculta depreendia dessa enxurrada de linguagem recém-criada no seu divertimento?".
McAlpine compara os provavelmente embasbacados Elizabetanos assistindo a uma peça de Shakespeare com a audiência de uma "batalha de rap. Daquelas em que você não conhece nenhuma das gírias". A maior parte do sentido ficaria no ar, e ao mesmo tempo pareceria importante e dramático. (Figurino, gestos e encenação, é claro, ajudavam bastante, e ainda ajudam). A analogia é interessante, já que a linguagem utilizada por rappers é, com a mesma frequência coisa de suas cabeças.
Adaptado de The 1,700+ Words Invented by Shakespeare*


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